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Brazil Gets Worse on List of Human Trafficking [English-language translation]

São Paulo, 7 June 2006

Sérgio Dávila, Washington – Brazil has fallen one level in the “Annual Report on Human Trafficking,” the sixth such report produced by the US Department of State. Brazil was placed in Level Two – Under Observation, the second worst level, after countries [worse than] such as Afghanistan and Rwanda, and ahead of [better than] members of the so-called “axis of evil,” such as North Korea and Iran. Up to 2005, Brazil was in Level Two, where the majority of countries are found.

According to the report, there are currently close to 70,000 Brazilian women working as prostitutes abroad, and 25,000 people are victims of slave labor in Brazil. Despite having demonstrated the determination to deal with the problem, “the government [of Brazil] does not comply integrally with the minimum requirements to eliminate trafficking,” according to the report.

One focus of concern is the trafficking of children for the purposes of sex, “especially in beach cities and luxury resorts of the Northeast.” “The Ukrainian woman who is drawn to London by a false offer to be a [fashion] model and is then forced into prostitution is as much a victim of human trafficking as a Brazilian adolescent who is forced by her family to become a prostitute in a seaside tourist city,” states the report.

Brazil is mentioned as both a destination for slave labor and prostitutes as well as an exporter of that same type of labor. The most common destinations of such Brazilians are the countries of South America and the Caribbean, Western Europe, Japan, US, and Middle East. The countries in which the greatest number of women forced into prostitution or people forced to work in Brazil are Bolivia, China, South Korea, Honduras, Paraguay, Peru, Dominican Republic, and Uruguay.

The country [Brazil] dropped [a level], justifies the report, “for not being able to prove that it increased its efforts to fight human trafficking and to impose more effective punishments against the people who exploit forced labor.” The eradication of slave labor and fighting child prostitution are two of the goals of President Luiz Inácio “Lula” da Silva’s administration.

“The entire scenario of human trafficking in Brazil is of huge concern,” Emily Goldman, of the Robert F. Kennedy Memorial Center for Human Rights in Washington, stated to Folha. “However, slave labor worries us most. There is a clear cause-effect relationship between the lack of land reform – one of President Lula's unfulfilled campaign promises – and the trafficking of men for forced labor on large agricultural plantations." The report, which also emphasizes the practice of Brazil’s wealthiest families using child labor for domestic service, praises the performance of the NGO Brazilian Association for the Defense of Women, Infants, and Children and the University of Brasília.

(Original article in Portuguese) Brasil piora em lista de tráfico humano

São Paulo, quarta-feira, 07 de junho de 2006

Segundo Washington, país só está melhor que o "eixo do mal"; EUA se dizem preocupados com aumento de prostituição na Copa

Departamento de Estado diz que 70 mil brasileiras vivem de prostituição no exterior e 25 mil pessoas são vítimas de trabalho escravo no país
SÉRGIO DÁVILA
DE WASHINGTON

O Brasil caiu uma posição no "Relatório Anual de Tráfico Humano", sexta edição de levantamento feito pelo Departamento de Estado norte-americano. Foi colocado na Posição 2 - Em Observação, a segunda pior, atrás de países como Afeganistão e Ruanda e à frente apenas de membros do chamado "eixo do mal", como Coréia do Norte e Irã. Até 2005, estava na Posição 2, onde se concentra a maioria dos países.
Segundo o informe, há hoje cerca de 70 mil brasileiras vivendo de prostituição no exterior, e 25 mil pessoas são vítimas do trabalho escravo dentro do Brasil. Apesar de ter mostrado determinação em lidar com o problema, "o governo não cumpre integralmente os requisitos mínimos para a eliminação do tráfico", de acordo com o levantamento.
Um foco de preocupação é o turismo sexual infantil, "especialmente em cidades praianas e resorts de luxo do Nordeste". "A mulher ucraniana que é atraída a Londres pela oferta falsa de ser modelo e então prostituída é tão vítima do tráfico humano quanto a adolescente brasileira que é forçada por sua família a se prostituir numa cidade turística à beira-mar", diz o texto.
O Brasil é mencionado tanto como destino de trabalhadores escravos ou prostitutas quanto exportador desse tipo de mão-de-obra. Os destinos mais comuns dos brasileiros seriam países da América do Sul e Caribe, Europa Oriental, Japão, Estados Unidos e Oriente Médio. Já os países de onde mais viriam mulheres forçadas a se prostituir ou pessoas forçadas a trabalhar no Brasil seriam Bolívia, China, Coréia do Sul, Honduras, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai.
O país foi rebaixado, justifica o relatório, "por não conseguir provar que aumentou os esforços para combater o tráfico humano e para aplicar penas mais efetivas contra as pessoas que exploram o trabalho forçado". A erradicação do trabalho escravo e o combate à prostituição infantil são duas das bandeiras da administração de Luiz Inácio Lula da Silva.
"Todo o cenário de tráfico humano no Brasil é preocupante", disse à Folha Emily Goldman, do Centro de Direitos Humanos do Memorial Robert F. Kennedy, de Washington. "Mas o trabalho escravo preocupa mais. Há uma relação clara de causa-efeito entre a falta de reforma agrária, uma das promessas de campanha não-cumpridas pelo presidente Lula, e o tráfico de homens para o trabalho forçado em latifúndios."
O relatório, que ressalta também a prática de famílias mais abastadas brasileiras de utilizar mão-de-obra infantil para serviços domésticos, elogia a atuação da ONG Associação Brasileira de Defesa da Mulher, da Infância e Juventude e da Universidade de Brasília.